Dossiê
Memória, Patrimônio e Criação Cultural em Territórios Quilombolas
Organizadoras: Luciana Carvalho (UFOPA) e Juliene Pereira (UFOPA)
Submissões prorrogadas até: 28/02/2026
Descrição: Este dossiê propõe reunir artigos que reflitam sobre os sentidos atribuídos à memória, ao patrimônio e à criação cultural em comunidades quilombolas, bem como sobre os usos dados a esses elementos em processos de luta por reconhecimento e defesa de territórios. Busca-se, assim, evidenciar os quilombos como espaços de vida e produção de saberes que conectam espacialidades e temporalidades diversas, desafiando os paradigmas hegemônicos do Estado, do mercado e da academia. A proposta parte do entendimento de que os territórios quilombolas compreendem sistemas simbólicos, históricos e políticos nos quais se entrelaçam vínculos de ancestralidade, regimes próprios de uso da terra e dos bens naturais, práticas de resistência e formas de produção e expressão de saberes que denotam territorialidades específicas. Nesses termos, assume-se que o território é condição ontológica da vida coletiva, em cuja defesa são acionadas estratégias discursivas e institucionais fundamentadas em argumentos que evidenciam a centralidade da memória, da cultura e do patrimônio como formas legítimas de mobilização política. Ao articular esses aspectos, o dossiê propõe um deslocamento epistemológico: o patrimônio não é apenas o que o Estado reconhece, cataloga e protege, mas aquilo que os sujeitos definem como parte constitutiva do seu modo de vida.
Nesse sentido, festas, expressões verbais e não verbais, técnicas produtivas e lugares de trabalho, entre muitos outros elementos, compõem um regime patrimonial próprio e situado, que desafia as abordagens hegemônicas do patrimônio, inclusive o próprio texto constitucional e os demais institutos jurídicos aplicáveis ao tema. Nesse contexto, ao propor este dossiê, evocamos a imagem do Mapinguary como guardião de mundos em coexistência. Os territórios quilombolas expressam justamente coexistências: entre tempo histórico e tempo mítico, entre a oralidade e o documento, entre a política institucional e a política dos corpos. São territórios que se atualizam como espaços de resistência e invenção, cujas territorialidades específicas devem ser reconhecidas não apenas em seus aspectos legais ou administrativos, mas sobretudo em seus modos de criar, fazer e viver. Para compor este dossiê serão bem-vindos artigos que discutam como a memória, o patrimônio ou a criação cultural são acionados em processos de luta por reconhecimento e defesa de territórios. Essa questão pode ser abordada a partir de múltiplas perspectivas e em diferentes eixos, tais como:
a) Modos de vida vinculados ao território, produção e transmissão de saberes tradicionais em comunidades quilombolas;
b) Criação cultural, memória coletiva, ancestralidade e (re)configurações identitárias em comunidades quilombolas;
c) Práticas e regimes de patrimonialização de bens culturais em territórios quilombolas, tais como tombamentos, inventários, registros e planos de salvaguarda;
d) Ações estatais e ações locais/comunitárias de preservação da memória e do patrimônio quilombola, inclusive embates em torno delas.
Outras discussões relacionadas com a temática do dossiê também poderão ser consideradas para publicação. Estimula-se, por fim, a submissão de artigos produzidos por autores(as) quilombolas ou em coautoria com membros das comunidades quilombolas.

Site elaborado por Elisa Rodrigues
